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11 de fevereiro de 2015

sheep

tudo se resume.
o corpo sente a presença e a falta, ao mesmo tempo.
tudo o que era ficou pra trás,
tudo que vem, será.
a pele aquece e esfria com o toque
ou ao menos com o desejo de tocar.
a cabeça roda, entorpecido.
a mente enfraquece e o que era certeza, hoje é dúvida.
de quem é a culpa?
não há culpado.
o sentimento que domina.
a vontade.
o carinho.
o corpo se entrega. a cabeça treme. a boca arqueja uma reprovação.
já é tarde.
tudo o que pode ser, já foi.
a mente imaginou, sonhou, realizou.
quero realizar.
ter.
ser.
poder.
espero. suspiro. sussurro. sorrio.
o sorriso idiota e frouxo que você sempre me tira.
quero.
cada vez mais
e espero,
querendo.

28 de agosto de 2014

aposto

vamos apostar assim eu sinto saudades de você, 
e você de mim.
quem sabe um dia a gente se cobre o prêmio.
quem resistir por mais tempo, tem direito à cobrança.
isso vai nos remeter à nossa fase inicial,
quando a aposta foi perdida e, mesmo assim, tive que cobrá-la.
vamos apostar assim sua mão na minha causando sensações boas
e a minha apertando a sua meio escondido, como se procurasse refúgio
quem sabe um dia nossas mãos se encontrem.
quem resistir por mais tempo, tem direito ao abraço.
vamos apostar assim a gente se encontra escondido
e esconde de todos o resultado.
quem sabe um dia se torne chato quando todos souberem.
quem resistir por mais tempo, tem direito à escolher o lugar.
vamos apostar assim de noite eu te visito
e deixo uma parte de mim com você.
quem sabe um dia eu possa pegá-la de volta, fazendo com que eu fique mais completo
quem resistir por mais tempo, tem direito a escolher a cama.
vamos apostar assim nada de luz dessa vez,
apenas eu e você e o tato para nos guiar.
a língua para explorar
o corpo para sentir.
quem sabe um dia a gente sinta o mesmo ou mais do que sentimos
quem resistir por mais tempo, tem direito à escolher correr o perigo ou não.
vamos apostar assim você não esquece de mim,
e eu não te deixo sozinho.
porque um dia a distância vai deixar de existir de novo, mesmo que por pouco tempo.
e vamos resistir por muito tempo, até que tenhamos direito de acabar com nossa aposta.
posso perder essa aposta pra você.
desde que o resultado seja sempre o mesmo.
a gente.

1 de junho de 2014

queima

Na vida, muito se ouve, muito se engole e pouco se fala.
Até que um momento você não quer mais ouvir, não consegue engolir e fala.

E quando você fala, você se liberta.
Liberta dos teus demônios, tuas privações, tuas prisões e correntes e algemas e sabe lá mais o que estiver te afligindo de alguma forma.
E quando você fala, você não consegue parar.
Desenfreado, você não faz sentido.
Mesmo sem razão, a racionalidade fica ao lado da outra pessoa.

E você cala.
Cala e ouve.
E se decepciona com o que ouve.
Você fala. 
E quando fala, se queima.
A visão muda. 
A sua. A dela. A disso.
Ameaças vagas que agora vão atormentar sua cabeça.
Palavras fracas que te perseguirão.
A lágrima e a lamúria baixa que vai lhe acompanhar.
Tudo queima.
Tudo marca.
A lágrima que escorre: marca.
A raiva por falar: marca.
A raiva por ser recriminado por falar: marca.

E você se cala.
E todos estranham o porque do silêncio.
E a sua vontade é de gritar.
De chorar.
De se desligar.
Mas você ignora. Diz que vai passar.

E talvez passe.
Um dia.
Talvez.

Passe.

26 de abril de 2014

me afaste-se

hoje eu só queria um beijo seu.
um beijo com um afago, uma promessa, uma calmaria.
vai tudo ficar bem, anjo.
e tudo ficaria melhor, mais fácil.
hoje eu só queria estar com você
sem todos os possíveis problemas, 
sem ter que ficar com medo de que outra pessoa interfira
interrompa, a gente.
hoje eu só queria que ontem não tivesse ocorrido.
que você entendesse que, querendo não me magoar, você caminhou para isso.
não magoado com você, mas por você.
será que isso faz sentido?
não prometo manter a cabeça no lugar caso outro lhe tome.
talvez eu seja imaturo como você disse,
mas pela razão correta e não por uma conversa.
hoje eu só quero um beijo seu.
mas hoje eu não sei se você sequer gostaria de me ver.
hoje eu só quero estar com você.
mas talvez tudo o que você queira é que eu me afaste.
e eu me afasto, se for o que você quer.
como eu te disse, estou acostumado à afastar as pessoas.

22 de fevereiro de 2014

burocracia social

desde quando tudo tem que ter um motivo?
quando a burocracia social passou a ser mais importante que a espontaneidade?
por que um "te amo" tem que vir com motivo, significado, relevância e peso?
por que um sorriso precisa ser explicado?
por que tudo deixou de ser tão eu pra ser tão deles?
quem disse que todo gesto tem motivação?
onde tá escrito que um elogio tem de significar algo além do que foi dito?
quando a pressão organizacional passou a tomar conta dos nossos gestos, pensamentos, sentimentos...?
acho que perdi esse momento exato.
um momento crucial que eu fui esquecido de ser avisado quando iria rolar...
prefiro a espontaneidade
a lágrima que rola pela simples vontade de desabafar
o sorriso que sai quando observa as covinhas no sorriso do outro
o pensamento perdido guiado por uma música
a vergonha de uma memória antiga
a leveza de um toque, um abraço, um afago.
sem importância maior do que a de importar.
se outros precisam de significado, eu só preciso que marque.
que importe.
que faça diferença.
ou que seja tão despreocupado que perca o sentido, as pernas, as bases e estremeça.
estremeça e caia.
em alucinação, em despreocupação, em manias.
nem tudo tem motivo
e eu já esqueci o motivo desse texto...
se é que chegou a existir um

20 de dezembro de 2013

livra-te de teus demônios, sejam eles quais for

Mais uma vez você a machucou
e, como num acordo imprevisto, o dia acordou monocromático.
Ela ainda tenta, corre pra você, chora, desmorona.
Você permanece impossível.
E o céu cada vez mais cinza...
até o momento em que ela grita.
Livra-se dos demônios em sua cabeça, separa-se da sua fúria, extermina sua dependência.
Agora ela é sol: forte e com luz própria.
A garganta arde, mas o grito é aconchegante, libertador.
Ela grita mais.
Você corre... pra longe.
O grito ecoa mais forte e as lágrimas brotam com o esforço.
Você fugiu.
O sol voltou.
Os demônios enclausurados.
Ela?
Liberta.

18 de dezembro de 2013

dias nublados, com uma nuvem própria

Hoje poderia ser um dia bom.
Hoje eu teria o sol brilhando, numa versão mais fantasiosa e utópica da realidade.
Mas o dia começa errado.
Não tinha sol.
As nuvens tomaram conta...
ao mesmo tempo em que voltavam à minha cabeça e me deixava atordoado.
Hoje eu sei como vou me sentir.
Sei que vou passar por um mix de tudo que passei no último mês.
E parece que até mesmo meu celular conspira contra mim, 
me jogando para baixo com a melhor sequência de fossa automática.
Daí, assim, em meio à músicas de palavras doces, suspiros leves e pensamentos pesados, me vejo pensando em você.
Justo hoje, quando eu esperava um raio de sol pequeno que fosse para me aquecer.
E enquanto eu passo por tudo isso, mais uma vez, você está sabe lá onde,
pensando talvez em mim
e conseguindo viver tranquilamente nesse dia nublado.
Mas eu continuo, imerso nas minhas músicas, lembrando do sorriso forçado depois de você desabafar.
"Por que não podemos ficar com duas pessoas ao mesmo tempo?"
E eu sorri.
Pra esconder tudo mais que eu senti com isso.
Um sorriso.
Agora o sol já aparece,
mas há uma sombra minha cabeça.
E então percebo que ganhei uma nuvem própria.
Uma nuvem que me confunde e me entorpece.
Você.

13 de novembro de 2013

um café com gosto de saudades

Hoje eu acordei saudoso..
ou melhor, nostálgico.
Ou talvez ambos.
Num mix meio louco de emoções, quem sabe.
Tirei a poeira de livros antigos,
folheando algumas páginas e parando em um qualquer,
meio que para me lembrar da história e sorrir ou sentir o coração apertar um pouco.
Mexi nos discos antigos,
fui me transportando para terras de músicas lentas e meio melosas.
Deus, como eu era chato.
Tentei ouvir discos novos.
Qual não foi minha surpresa ao descobrir que eles continuam iguais.
Alguns são até o mesmo disco.
Outros são de estilos parecidos...
Deus, como eu sou chato.
Hoje eu tirei alguns tantos textos secretos do armário.
Li, reli, rasguei, pus fogo.
Em um, dois ou todos.
Enquanto lia, me afligi novamente com as situações em que eles foram escritos.
Mais ainda, me afligi pelas pessoas para qual eles foram escritos.
Todos tão passado, tão não eu, não meu.

Hoje eu tirei os cadernos guardados e reli cada baboseira escrita nas margens.
Senti falta de roupas que já não me servem mais e que há muito já não são minhas.
Quis de volta pessoas que se foram há três anos.
Ou mesmo as que me deixaram apenas metaforicamente.
Cheirei algumas cartas e percorri o dedo pelas tantas caligrafias que me presentearam ao longo da vida.
Hoje eu olhei fotos.
Nossa, isso foi nesse ano?
Ual.

Hoje eu quis de novo.
Tudo o que eu já tive.
E mais ainda, o que não tive também.
Liguei para uma pessoa.
Me esqueci que esse número não existe mais, não há ligação alguma.
Nenhuma voz me disse oi.
Nenhuma voz me perguntou se tá tudo bem.
Nenhuma voz sorriu e disse que eu estava sendo bobo.
Nenhuma voz pra dizer que sente saudades.
Mas é, eu sinto saudades.

Do que eu era,
do que eu sou
e até do que eu pretendo ser.
Eu já não sou mais eu...
é uma sensação tão estranha se sentir tão fora do mundo.
Hoje eu fiquei jogado no meu canto.
Visitando velhos fantasmas, velhas lembranças, velhas pessoas.
Não quis papo.
Queria um abraço e um café, talvez.
Me queimei com o café por pura desatenção.
Quatro ou cinco vezes.

E eu sei que eu não deveria estar assim,
mas o engraçado é que eu não faço ideia de como cheguei aqui.
Sabe o que eu preciso mesmo?




Café. E música.

1 de novembro de 2013

lidando com a realidade de um sonho qualquer

São quatro da manhã.
Estamos deitados no escuro de um quarto qualquer e eu já não sei mais o que é qualquer coisa ao meu redor.
O cheiro do seu corpo impregna minhas roupas, minha mente, meu olfato.
Sua presença é sempre tão constante, mesmo você estando tão longe de mim frequentemente.
Agora teu corpo está imprensado no meu e tudo o que eu queria era que esse momento permanecesse eterno.
Não, eterno não, mas que durasse mais.
Sua mão tocando meu rosto, arranhando minhas costas, embrenhando-se pelos meus cabelos.
Hoje estamos deitados num canto tão diferente do nosso que faz com que tudo seja novo e estranho, mesmo que sejamos velhos conhecidos.
A intimidade, a brincadeira, o riso tão frouxo e ao mesmo tempo tão forte.
Tudo me convém, me agrada, me aquece.
São quatro da manhã.
E você dorme.
Como você consegue dormir?
Tudo o que eu consigo é te observar dormir. Suave, doce.
Te observo para ter a certeza de que você ainda está ali, de que não vai sumir como um sonho.
Te agarro e sinto o prazer de ter você em meus braços.
Seu cabelo tocando suave a minha pele, o peso da sua cabeça sobre o meu braço, o calor do contato.
Como você consegue dormir?
Me ensina.
Me ensina a conseguir fechar os olhos e me tornar tão sereno quanto você.
Me ensina a não te desejar a ponto de conseguir relaxar toda a tensão quando estamos juntos.
São quatro da manhã.
Preciso ir.
Sim, hoje sou eu quem te abandono.
Num quarto qualquer e eu já não sei mais de qualquer coisa.
Preciso andar.
Não vou dormir.
Preciso lidar com a confusão na minha cabeça.
Preciso entender como você consegue dormir.
Preciso... de você.
E então eu volto.
Pro meu quarto, pra minha vida.
E tudo não passou de um sonho.
Mas eu ainda sinto o seu perfume no meu travesseiro.

Então preciso lidar com a ideia de que talvez não tenha sido sonho.

23 de outubro de 2013

meu maior inimigo

Parece coisa de filme, mas é bem assim a minha vida: um clichê atrás do outro.
Seria um daqueles romances bestas onde um garoto ama uma garota e coisas assim.
Mas eu estaria longe de ser personagem principal.
Nunca tive vocação pra isso.
Aliás, eu nunca gostei dos mocinhos.
Sempre tive uma queda por vilões e personagens secundários.
Eu seria um dos dois.
Daqueles bem marcantes.
Seja um vilão que gera raiva de milhares
ou o melhor amigo da mocinha que é, na verdade, apaixonado por ela secretamente.
Tão típico de mim.
Estar tão feliz com o que tenho, mas acabar me fazendo sofrer.
De uma hora pra outra.
É, com certeza, um personagem secundário.
Aquele com problemas internos e conflitos que não consegue resolver
e que acha que ninguém jamais vai conseguir ajudá-lo.
Aquele que está rindo numa hora e chorando em outra.
Que, em um surto qualquer, acaba cometendo alguma burrada...
Com toda certeza, esse sou eu.
Tão atrapalhado na minha própria vida que passa a ser dificil falar dela.
Tão acostumado a confortar que já esqueceu como é ser confortado.
Tão habituado à tristeza que se deixa levar de volta pra ela por um mínimo motivo.
Esse sou eu.
Um mocinho não tão importante
e um vilão não tão competente.
Um mocinho clichê e piegas com um inimigo tão idiota quanto.
Afinal, quem seria meu maior inimigo senão eu mesmo?

19 de outubro de 2013

hoje é dia da carne

Ouço barulhos de zíper e velcro.
Nossas roupas estão no chão.
O que estamos fazendo?
Por que estamos fazendo?

Nossos corpos se aproximam, nossos lábios se tocam.
Quentes, como se pertencessem um ao outro.
Um encaixe perfeito ao mesmo tempo tão errado.
Sinto o gosto dos tantos outros que passaram.
Tenha sido um ano, um mês ou vinte minutos, consigo sentir cada um dos amargurados que cederam aos teus encantos.
Deslizo a mão por seu corpo e tudo o que consigo vislumbrar é o toque já repetido e recebido de diversas formas. O meu não faz diferença.

Mas o corpo deseja.
O meu.
O seu.
Deseja unir-se, serem mais do que meros desconhecidos.

E então, selvagem e arrebatadoramente, você se aproxima.
E tudo parece acontecer tão normalmente que não há consciência ou mente que segure o corpo.
Hoje quem toma posse é ele.
Ele quer ser tocado enquanto toca.
Ele quer sentir, enquanto sente.
Ele quer beijar e ser beijado.
Ele quer.

Talvez tenhamos cometido o maior erro das nossas vidas.
Não deveríamos deixar o corpo ser tão dominador.
Eu não posso deixar isso acontecer.
Porque, depois que a consciência volta, sou eu quem carrega a culpa.
Você caminha para mais tantos amargurados de beijos ácidos e doces e salgados e vazios.
Talvez tenhamos entrado num terreno perigoso.
Mas, por enquanto, com o corpo no comando me fazendo desejar teu corpo, tua mente e a tua presença, tudo o que consigo imaginar é quão bom esse perigo seja.
E amanhã, quando nos separarmos, tudo isso desaparece.
A mente volta a reinar, a consciência pesa, o álcool fala mais alto e a pergunta de sempre voltará.
O que estamos fazendo?
Por que estamos fazendo?
Mas, quando nos encontrarmos de novo, os corpos falarão mais alto e o desejo aumentará à cada olhar, toque, sentido e prazer.
E de repente, nada vai parecer errado.
Tudo será possível.
Tudo será do corpo... mais ainda, será da carne.
Quente, úmido, sujo e perigoso.

Como sempre.

15 de outubro de 2013

mais um ano

Mais um ano se passou e dessa vez eu nem percebi. Talvez seja por eu já ter me acostumado à ideia de não ter mais você comigo, de não poder te abraçar ou te ligar tarde da noite pra contar aquele pesadelo tosco de sempre. Ou então talvez você já seja tão parte de mim que eu não consiga perceber que já faz tanto tempo. Mas hoje eu lembrei, resolvi olhar o calendário e percebi que deixei passar. Hoje eu ouvi a sua música e todos os pensamentos me levaram até você, me fizeram sentir você, me fizeram querer que tudo isso fosse apenas um sonho, que você estivesse comigo. Hoje eu desenterrei suas cartas, deixei se perfume tomar conta do meu quarto, do meu corpo, da minha mente. Me permiti ser seu outra vez. Só seu e de mais ninguém, como fomos por um longo tempo. 

Mas, se você quer saber, hoje eu não chorei. Não relutei, não me fechei ou sequer me senti mal por não ter percebido. Hoje eu apenas revivi memórias boas, senti falta de viver aquilo tudo de novo, quis ter mais lembranças suas (físicas e mentais) e desejei um dia a mais. Um dia pra te abraçar, te beijar, te aninhar junto ao meu corpo, te ver dormir quem sabe, com a cabeça no meu colo enquanto eu mexo no seu cabelo e cantamos uma música qualquer. Foi tão bom. Tão bom que eu cheguei a enxergar isso acontecendo.


E de repente me senti louco. E as janelas tremeram quando a música acabou. Era você. Sempre é você. Abri e deixei o vento entrar. Ele levou embora o seu perfume; bagunçou as suas cartas e fez cócegas em mim. Sem dúvida, era você. 


Guardei tudo. Recolhi as memórias, o seu cheiro, os seus beijos, o seu toque. Tudo foi guardado. Na mente, no peito ou na gaveta. E então eu fiquei quieto, esperando. Mas o que? Talvez uma confirmação de uma desculpa. Mesmo não estando errado, ainda achava que tinha errado. Encolhi. Você sabe que eu sempre fui um tanto medroso para o mundo... e eu não queria saber do mundo. Não hoje.


Então eu dormi. Me permiti ficar jogado, vendo filmes ou escrevendo esses tantos parágrafos que por vezes foram rabiscados. me permiti tentar encontrar as palavras certas para representar todos os anos. Os que estivemos juntos e os que tivemos separados. Até agora, não sei se achei nenhuma que sirva, por isso eu paro por aqui. Na esperança de que talvez tenha sido você... que tenha me reconhecido e vindo me abraçar, me fazer cócegas e bagunçar meu quarto. E se não foi, bom, prefiro não pensar nessa possibilidade...

6 de outubro de 2013

promessas pra quem?

Hoje eu me convenci de que não escreveria.
Apesar de ter pensado e refletido diversas coisas, convenci-me de que nada merecia o conforto do papel.
E como eu nunca fui um cara que cumpre promessas feitas a si mesmo, cá estou.
Deslizo o lápis pelo papel ao som de uma música qualquer, com um piano forte e vozes grossas.
Tudo muito alto, robusto e grosso.
A letra, a voz, o papel, a música.
E ainda assim, não sei sobre o que escrever.
Talvez seja apenas a necessidade de expressar... o que sinto, o que penso, o que quero.
Mas tudo isso é muito tenso e acho melhor não falar sobre.
Como poderia falar sobre o que sinto sem expor pessoas?
Seria certo dizer que passei o dia pensando em você, enquanto provavelmente você pensa em outro?
Acho que não, então por isso me recuso a afirmar que pensei em você.
Não, eu não pensei.
No máximo eu lembrei com certo afeto.
Seria certo dizer que pensei no futuro e no passado sem olhar pro presente? Sem me preocupar com as pessoas que me querem (bem ou mal) atualmente...
Acho que não, então por isso afirmo apenas que pensei.
Nossa, e como pensei.
A música ficou mais alta; minha dor de cabeça estourou.
Um dia de tanta reflexão que me causa ânsias.
Ânsia pelo que eu fui, sou e serei.
Ânsia pelo que fiz, faço e farei.
Ânsia por estar descumprindo uma promessa feita no começo do dia.
Rabisco no alto da folha: EU NÃO ESCREVEREI
e, fazendo isso, desatino a escrever.
Esse texto. Outro texto. Outro eu. Um você.
Seria certo dizer que eu quero? 
Seria ousado dizer que não preciso do profundo, que me contento com o superficial?
Acho que não, ninguém aceita isso.
A música muda.
Uma gaita e um violão entram em cena, a voz é mais calma.
Decido ler. 
Quero ler.
Preciso ler.
Não consigo ler.
Não sei ler.
Desaprendi.
Perdi a vontade.
Vou escrever; mas eu lembro que prometi não escrever, então escrevo mais um pouco.
O quarto está escuro, tomado pela lua que não brilha.
Desejo outra vez.
Você. Nós. Eu. 
Nada. Tudo. Não sei.
Tá escuro, tá confuso.
Aliás a minha mente é meio assim.
Escura, confusa.
Esfrego os olhos.
Decido dormir.
Não consigo dormir.
Não consigo deixar de pensar.
Hoje a noite será em claro.
Decido escrever mais... foda-se a promessa.
O papel já tá todo rabiscado.
Erros completam uma folha que poderia ser a minha vida.
Torta, apagada e com algumas linhas faltando.
Não quero mais.
Quero ouvir a música.
E só então percebo que ela acabou. Droga.
Agora o lápis para na folha.
Ansioso por mais, desejando ser usado.
E eu paro.
Não quero mais escrever.
Não gosto mais de escrever.
Não quero mais lembrar de você.
Eu me calo.
Engulo o silêncio, o escuro, o papel.
Acabou.
Só a minha cabeça que continua a bater.

20 de setembro de 2013

me olhe

Desafie-me, enfrente-me, encare-me.
Nada de falsa modéstia, de timidez desnecessária.
Olhe-me, deseje-me, encare-me.
Quero olho no olho.
Azul, verde, marrom, preto, amarelo.
Aceito todos.
Recolho todos.

Olhares puritanos, questionadores, tentadores, severos...

até mesmo os marejados.
Recolho todos.
Aceito todos.

O poder do mistério, do brilho e da descoberta me encantam.

Quero olhar,
meu negócio é olhar...

Encare-me e te encaro de volta;

desafie-me e responderei com gosto [o desafio];
olhe-me e eu manterei o olhar.
Sem desvios, 
sem cautela, 
sem vergonha.

Coma-me com os olhos,

e talvez eu faça o mesmo.
Dispa-me, pois com certeza, eu o farei contigo.

Vigie meus olhares,

acompanhe meus olhos.
Descobrirá mais através deles do que qualquer boca jamais te dirá.

10 de setembro de 2013

azarado...

O que fazer quando você aposta todas as suas fichas em uma só pessoa?
E ela decide, de repente, dar pra trás e te decepcionar.
O que fazer quando suas apostas são altas. 
Tão altas quanto suas expectativas.
E, de inicio, parece que tudo vai dar certo.
E o medo toma conta e a primeira decepção vem de você mesmo.
Um auto-inimigo, um auto-destruidor, um você mesmo. 
Como sempre foi.
E quando já está preparado para guardar as fichas e quem sabe apostá-las no futuro,
tudo muda. Tudo ganha uma nova vida.
A aposta ainda é válida, ainda alta.
Mas aí a decepção vem da outra pessoa...
não suportando o compromisso de agir, se retrai.
Se esconde por desculpas, decepciona para depois se desculpar.
E como se não bastasse tudo isso, decide fingir que nada aconteceu.
Ora, por que não continuar como estava?
Apostas que pediam atitudes maduras depositadas na mão de uma criança.
E como toda criança faz, você brincou.
Brincou.
E agora tudo está ok.
As fichas estão guardadas.
A decepção gravada.
As apostas encerradas.
E quem saiu perdendo fui eu.
Acho que posso ser chamado de azarado....

1 de setembro de 2013

ah, as pessoas...

Algumas pessoas são seres um tanto incompreensíveis, difíceis de se lidar e, na maioria das vezes, esse tipo de pessoa não reconhece que é assim. Então lá vai você fazer todo o esforço do mundo para tentar entender pela enésima vez a mente da pessoa. E você tenta. E todos são prova de como você tenta.

Mas, também na maioria das vezes, quando você consegue entendê-la, a pessoa muda de opinião, troca de personalidade, torna tudo tão confuso outra vez. Outras ideias. Outras opiniões. Outros discursos. E lá vai você tentar entendê-la mais uma vez. 


E tudo se torna um ciclo vicioso. Entender, mudar, entender, mudar, entender, mudar. Até que cansa, perde a graça... e você desanima. Tenta ignorar, não se meter, não procurar. E é taxado. Dizem que agora foi você que mudou, mas nunca notam a mudança constante da pessoa. 


E então a pessoa arruma um jeito de chamar sua atenção. Você volta a se preocupar, a procurar saber, a querer saber. E a resposta é vazio. Nada de noites de conversa, nada de pedidos de conselho, nada de brincadeiras à parte, nada de nada.


E então a culpa é sua. Quem mandou não tentar entender sempre... 


E tudo muda. Como previsto, a pessoa diz que a culpa é sua. Você não quis ouvir; não quis ver; não quis saber; não quis opinar. Tudo bem, não vamos discutir. E então você volta a saber... pelo menos uma parte do que se tem para saber. Mas não opina, ajuda. Não vê, sente.


E de repente tudo muda. A pessoa, que nunca quis falar, pergunta porque você não quer ouvir. A pessoa, que não leva em consideração o que você faz, quer te massacrar que talvez ela estivesse certa desde o inicio. E tudo é nada. Nada de saber; nada de ouvir; nada de ver; só sentir.


E, por enquanto, acho que ficará assim. Mas não por eu não querer ouvir. É apenas algo chamado tempo... não cobro, espero que chegue; não pergunto, venha falar se quiser. E isso não é "não querer", é apenas o privilégio de não procurar entender.

24 de julho de 2013

e hoje eu decidi arrancar de mim...

sabe quando você se sente errado,
sujo,
incapaz,
mal,
por uma atitude na qual você não pensa muito?
E mais ainda...
mesmo se sentindo tão mal,
você vai lá e faz de novo?
Você comete o mesmo erro.
O erro que te faz sentir um lixo.
O erro que vai sempre trazer essa mesma consequência.
Eu cometo sempre esse mesmo erro.
Mas hoje eu decidi arrancar esse sentimento de dentro de mim.
Não quero mais me sentir mal, sujo, errado, uma merda.
Nem que eu tenha que afastar os que me motivam a errar...
hoje, eu não quero mais me sentir assim.
Nunca mais.
E mesmo que alguns digam que não se pode arrancar,
eu vou tentar.
E se não conseguir, vou enraizar.
Enterrar.
Impedir que floresça.
A partir de hoje, vai ser assim.
Ou pelo menos eu quero que seja.

20 de julho de 2013

feliz dia do amigo... eu acho

Me questionam por que brigamos.
Dizem que é fogo de palha, que estamos de palhaçada.
Antes mesmo de saberem os motivos, me apontam dedos.
Eu estou errado. Eu sou o errado.
É sempre assim.
Quando duas pessoas são tão parecidas, ou elas se dão bem ou elas brigam.
Parece que esgotamos o nosso limite de tempo se dando bem...
Mas é engraçado quanto sentimos falta um do outro.

No dia de hoje, me lembro de 4 anos atrás.

O último dia do amigo que passamos juntos, "de bem".
Me lembro de cada detalhe. Das risadas, das idiotices e de todas as porcarias espalhas sobre a cama.
Talvez nosso elo tenho se desfeito a partir dali.
O nosso elo se foi e virou o motivo da nossa primeira briga de verdade.
11 anos depois e os "garotos perdidos" deixaram todos d queixo caído: eles não se olhavam mais nos olhos.
De lá pra cá já se passaram 2 anos e, entre brigas e reconciliações, eu sinto sua falta.
De como tudo era antes. Dos nossos planos de ir viajar pra algum lugar calmo ou de conquistar a galáxia.

Hoje eu decidi lembrar, sofrer, me machucar. 

Abri o livro que você me deu;
li todas as cartas e papéis bobos que eu guardei;
mexi e remexi em lembranças, momentos e músicas;
e então escrevi. Você ama o que eu escrevo, não é mesmo?
Mas talvez não chegue até esse ponto, porque talvez você não queira ler sobre você.

Hoje eu senti saudade... de quem você era.

Senti saudades de você me ligar às 3h da manhã pra perguntar qual era o nome da música que tava tocando na festa do dia anterior (que, aliás, eu ouço até hoje).
Das suas visitas, quase sempre me acordando, puxando minha coberta e me jogando no chão.
Senti falta do cara que foi meu amigo nas horas boas e más, mas que se afastou e descontou em mim enquanto sofria.

E talvez, se você tiver lido isso tudo, você esteja chorando como eu e queira me ligar.

Eu poderia atender, aceitar suas desculpas e ficar horas pondo o papo em dia.
Mas nós dois sabemos que seria temporário e que o discurso continuaria o mesmo.
Portanto, prefiro que não ligue.
Então, por hoje, feliz dia do amigo... e nada mais.

26 de junho de 2013

O gigante acordou...

Os sanguessugas foram postos contra a parede,
escondidos atrás de seus ternos, suas promessas falsas e seus sorrisos simpáticos,
protegidos por uma farda incapaz e injusta.
O povo finalmente acordou, eles disseram.
Entenderam o significado de democracia.
Entenderam que os sanguessugas de olhares bondosos e palavras dóceis
também mordem. E já vêm mordendo o povo a bastante tempo.
Então está tudo propenso. 
Um governo insuficiente, um evento desnecessário, mudanças absurdas, um povo revoltado e uma força de contensão injusta e incapaz.
Várias cidades, diversos estados, um mesmo país.
Diversas frase, um mesmo grito, um clamor por mudanças.
Queremos um novo Brasil.
"O gigante acordou", eles entoaram.
E de fato foi lindo estar na rua,
ouvir todas aquelas vozes se juntando numa só,
chamando, gritando e batendo no peito o orgulho de ser brasileiro.
Orgulho de pertencer à uma terra quebrada, uma terra de promessas não cumpridas,
uma terra de falhas encobertas por maquiagem. Uma terra de hipocrisia.
"O gigante acordou", eles entoaram.
Mas será mesmo?
O povo percebeu que usar a voz é a melhor coisa que pode fazer.
Gritar, fazer acontecer, chamar atenção do mundo para um Brasil que não é disfarçado com bunda, samba e futebol.
Aliás, que futebol? Estamos mesmo numa copa? Não me recordo de notícias sobre isso...
Sim, o povo acordou. Ou boa parte dele sim.
Como podemos entoar "o gigante acordou", se ainda existe aquele que acha que é por 20 centavos?
Com que pensamento você vai às ruas, clamar seus direitos? Se for de forma protestante, pacífica e orgulhosa por tudo o que você está fazendo pelo país, continuo a te aplaudir e piscar a luz sempre que você gritar...
Mas será mesmo que o gigante acordou?
O país abriu os olhos pro que falta: educação, saúde e condições de vida.
Pois eu atento pra outras coisas também importantes que muitas vezes são suprimidas não pelos sanguessugas que tanto nos morderam, mas sim pelo povo que grita, que pinta a cara e que vai à rua.
Será que alguém lembrou do respeito, do bom senso e do pensamento livre?
Sim!
Respeito é uma das coisas que mais falta no Brasil. "Ora, pra isso reivindicamos boa educação!". Como uma sociedade que não respeita o outro, que julga tudo e todos, que exclui o minoritário e não acolhe nada que fuja dos padrões aceitáveis para si próprio pode ser digna de uma boa educação?
Por favor, não modifique meu discurso. Apoio toda a manifestação pacífica, que grita e pede mudanças. Mas o que eu venho perguntar é: já que estamos pedindo mudanças exteriores, por que não começar provendo mudanças interiores?
Bom senso se mostrou mais do que aceitável nessa situação de protestos. Ora, cadê bom senso em ir à manifestações para beber? Ir para gritar e entoar um hino, para logo em seguida destruir o que já é, precariamente, nosso? Cadê bom senso de julgar o que é certo e o que é errado...? Cadê bom senso em abrir os olhos sobre as mídias manipuladoras que mudaram o discurso sobre as manifestações e que de uma hora pra outra só falavam disso? 
Não tinha uma copa rolando? Vish, não me lembro...
Ao mesmo tempo em que a revolta chega, ela parece se tornar cada vez mais perdida.
Enquanto muitos querem gritar, outros só se importam com fotos em rede social.
Enquanto alguns piscam a luz em apoio, outros se escondem e nos chamam de vagabundos.
Enquanto uns fecham ruas e mudam o país, outros reclamam de como demoraram para chegar em casa.
Enquanto alguns levam spray de pimenta na cara, outros defendem a farda corrupta que "protege".
Farda essa que a tempos atrás estava do nosso lado da luta, gritando por direitos, querendo mais, não se contentando com o que tinha. E agora atacava de forma desnecessariamente agressiva aos que fazem o mesmo.
Enquanto alguns viam na TV que manifestantes começavam tumultos, outros sabiam da verdade pela internet. A tecnologia do futuro, onde a informação é passada tão rápido que quando você pisca, já chegou uma nova. 
Quem é que ganhou a copa mesmo? Como assim ainda tá rolando?
Enquanto alguns focavam em manifestações, outros fecharam os olhos pro que acontecia em volta.
Enquanto todos estavam à rua, o Presidente da Comissão de Direitos Humanos se achou no direito de aprovar uma nova doença.
E de repente, todos sofrem com essa doença... mas ninguém quer a cura.
O Brasil ainda está na copa? Teve gol do Neymar...?
Cura eu quero é pra incompetência do governo.
Cura eu quero é pras asneiras que muitos falam sem ter base ou fundamentos para tal.
Cura eu quero pras pessoas de mente pequena que não aceitam as diferenças e apoiam a tal cura.
Cura eu quero pros que acham certo um país rico em cultura de qualidade, ser conhecido como o país da bunda ou o do futebol.
Cura eu quero pra religião fervorosa que parece, infelizmente, alienar as pessoas cada vez mais. Talvez mais do que as tais mídias manipuladoras.
Cura eu quero pra todos aqueles que sofreram danos físicos enquanto lutavam por um novo Brasil.
Cura eu quero pro pensamento mesquinho de quem realmente acreditou que era por 20 centavos.
Mas, acima de tudo, o que eu quero mesmo é liberdade. 
Um país justo, onde cada um é livre pra pensar e agir como bem entende. 
Um país onde uma repórter, exercendo seu trabalho, não tome um tiro no olho.
Um país onde, mesmo que você não apoie as diferenças, você consiga respeitá-las.
Talvez isso seja mais utópico do que abrir mão do entretenimento maquiado pelas mudanças necessárias...

11 de junho de 2013

coragem

em diversos momentos da sua vida tudo o que você vai precisar é coragem...
coragem para não olhar pra trás e seguir em frente, tentando não se arrepender do que passou.
coragem pra mudar e ser diferentes; menos dependente dos outros, tornando a autossuficiência uma prioridade; sem se importar em se entregar, mas também sem fazer esperando algo em troca; ser bastante para si e para os outros.
coragem para poder dar um salto mais alto, pensar mais à frente, decidir sem se auto julgar.
coragem para arriscar; se deixar levar pelo desejo momentâneo que vêm num surto de adrenalina; pensar nas consequências negativas só depois; se arrepender por ter feito e não por ter pensado.
coragem para eternizar um momento caso ele seja bom; jogar todos os outros ruins fora, sem se importar se machuca... a você ou a outros.
coragem para bater o pé na sua decisão; bater de frente.
coragem para cuspir palavras amargas; não se importar com julgamentos e olhares tortos.
coragem para ligar o botão do foda-se e tentar ser feliz, com ou sem alguém... o importante é você. 
coragem para ser o centro do seu mundo; sem colocar ninguém em pedestal; dar mais atenção à si mesmo. 
coragem para desabafar... nem que seja para você mesmo; admitir todos os seus defeitos, erros e medos.
coragem para escrever, pensar e ousar sobre o que bem entender.
coragem para desafiar seu instinto de segurança.
coragem para pecar; ser sujo, mal, ambicioso.
coragem... que muitas vezes já me fez falta.
e, aliás, continua fazendo.
uma última nota, então, seria: coragem .... para ter coragem.