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26 de abril de 2014

me afaste-se

hoje eu só queria um beijo seu.
um beijo com um afago, uma promessa, uma calmaria.
vai tudo ficar bem, anjo.
e tudo ficaria melhor, mais fácil.
hoje eu só queria estar com você
sem todos os possíveis problemas, 
sem ter que ficar com medo de que outra pessoa interfira
interrompa, a gente.
hoje eu só queria que ontem não tivesse ocorrido.
que você entendesse que, querendo não me magoar, você caminhou para isso.
não magoado com você, mas por você.
será que isso faz sentido?
não prometo manter a cabeça no lugar caso outro lhe tome.
talvez eu seja imaturo como você disse,
mas pela razão correta e não por uma conversa.
hoje eu só quero um beijo seu.
mas hoje eu não sei se você sequer gostaria de me ver.
hoje eu só quero estar com você.
mas talvez tudo o que você queira é que eu me afaste.
e eu me afasto, se for o que você quer.
como eu te disse, estou acostumado à afastar as pessoas.

22 de fevereiro de 2014

burocracia social

desde quando tudo tem que ter um motivo?
quando a burocracia social passou a ser mais importante que a espontaneidade?
por que um "te amo" tem que vir com motivo, significado, relevância e peso?
por que um sorriso precisa ser explicado?
por que tudo deixou de ser tão eu pra ser tão deles?
quem disse que todo gesto tem motivação?
onde tá escrito que um elogio tem de significar algo além do que foi dito?
quando a pressão organizacional passou a tomar conta dos nossos gestos, pensamentos, sentimentos...?
acho que perdi esse momento exato.
um momento crucial que eu fui esquecido de ser avisado quando iria rolar...
prefiro a espontaneidade
a lágrima que rola pela simples vontade de desabafar
o sorriso que sai quando observa as covinhas no sorriso do outro
o pensamento perdido guiado por uma música
a vergonha de uma memória antiga
a leveza de um toque, um abraço, um afago.
sem importância maior do que a de importar.
se outros precisam de significado, eu só preciso que marque.
que importe.
que faça diferença.
ou que seja tão despreocupado que perca o sentido, as pernas, as bases e estremeça.
estremeça e caia.
em alucinação, em despreocupação, em manias.
nem tudo tem motivo
e eu já esqueci o motivo desse texto...
se é que chegou a existir um

20 de dezembro de 2013

livra-te de teus demônios, sejam eles quais for

Mais uma vez você a machucou
e, como num acordo imprevisto, o dia acordou monocromático.
Ela ainda tenta, corre pra você, chora, desmorona.
Você permanece impossível.
E o céu cada vez mais cinza...
até o momento em que ela grita.
Livra-se dos demônios em sua cabeça, separa-se da sua fúria, extermina sua dependência.
Agora ela é sol: forte e com luz própria.
A garganta arde, mas o grito é aconchegante, libertador.
Ela grita mais.
Você corre... pra longe.
O grito ecoa mais forte e as lágrimas brotam com o esforço.
Você fugiu.
O sol voltou.
Os demônios enclausurados.
Ela?
Liberta.

18 de dezembro de 2013

dias nublados, com uma nuvem própria

Hoje poderia ser um dia bom.
Hoje eu teria o sol brilhando, numa versão mais fantasiosa e utópica da realidade.
Mas o dia começa errado.
Não tinha sol.
As nuvens tomaram conta...
ao mesmo tempo em que voltavam à minha cabeça e me deixava atordoado.
Hoje eu sei como vou me sentir.
Sei que vou passar por um mix de tudo que passei no último mês.
E parece que até mesmo meu celular conspira contra mim, 
me jogando para baixo com a melhor sequência de fossa automática.
Daí, assim, em meio à músicas de palavras doces, suspiros leves e pensamentos pesados, me vejo pensando em você.
Justo hoje, quando eu esperava um raio de sol pequeno que fosse para me aquecer.
E enquanto eu passo por tudo isso, mais uma vez, você está sabe lá onde,
pensando talvez em mim
e conseguindo viver tranquilamente nesse dia nublado.
Mas eu continuo, imerso nas minhas músicas, lembrando do sorriso forçado depois de você desabafar.
"Por que não podemos ficar com duas pessoas ao mesmo tempo?"
E eu sorri.
Pra esconder tudo mais que eu senti com isso.
Um sorriso.
Agora o sol já aparece,
mas há uma sombra minha cabeça.
E então percebo que ganhei uma nuvem própria.
Uma nuvem que me confunde e me entorpece.
Você.

13 de novembro de 2013

um café com gosto de saudades

Hoje eu acordei saudoso..
ou melhor, nostálgico.
Ou talvez ambos.
Num mix meio louco de emoções, quem sabe.
Tirei a poeira de livros antigos,
folheando algumas páginas e parando em um qualquer,
meio que para me lembrar da história e sorrir ou sentir o coração apertar um pouco.
Mexi nos discos antigos,
fui me transportando para terras de músicas lentas e meio melosas.
Deus, como eu era chato.
Tentei ouvir discos novos.
Qual não foi minha surpresa ao descobrir que eles continuam iguais.
Alguns são até o mesmo disco.
Outros são de estilos parecidos...
Deus, como eu sou chato.
Hoje eu tirei alguns tantos textos secretos do armário.
Li, reli, rasguei, pus fogo.
Em um, dois ou todos.
Enquanto lia, me afligi novamente com as situações em que eles foram escritos.
Mais ainda, me afligi pelas pessoas para qual eles foram escritos.
Todos tão passado, tão não eu, não meu.

Hoje eu tirei os cadernos guardados e reli cada baboseira escrita nas margens.
Senti falta de roupas que já não me servem mais e que há muito já não são minhas.
Quis de volta pessoas que se foram há três anos.
Ou mesmo as que me deixaram apenas metaforicamente.
Cheirei algumas cartas e percorri o dedo pelas tantas caligrafias que me presentearam ao longo da vida.
Hoje eu olhei fotos.
Nossa, isso foi nesse ano?
Ual.

Hoje eu quis de novo.
Tudo o que eu já tive.
E mais ainda, o que não tive também.
Liguei para uma pessoa.
Me esqueci que esse número não existe mais, não há ligação alguma.
Nenhuma voz me disse oi.
Nenhuma voz me perguntou se tá tudo bem.
Nenhuma voz sorriu e disse que eu estava sendo bobo.
Nenhuma voz pra dizer que sente saudades.
Mas é, eu sinto saudades.

Do que eu era,
do que eu sou
e até do que eu pretendo ser.
Eu já não sou mais eu...
é uma sensação tão estranha se sentir tão fora do mundo.
Hoje eu fiquei jogado no meu canto.
Visitando velhos fantasmas, velhas lembranças, velhas pessoas.
Não quis papo.
Queria um abraço e um café, talvez.
Me queimei com o café por pura desatenção.
Quatro ou cinco vezes.

E eu sei que eu não deveria estar assim,
mas o engraçado é que eu não faço ideia de como cheguei aqui.
Sabe o que eu preciso mesmo?




Café. E música.